Erotismo na Arte

Julho 5, 2009 at 1:36 am | In Uncategorized | Leave a Comment
Tags:

Quando li um artigo do psicólogo e sexólogo Fabiano Puhlmann Di Girolamo, na revista on-line Catharsis, sobre erotismo e pornografia, não pude deixar de pensar na dimensão erótica da arte. Além de comportamental, pois segundo ele “o homem atual necessita equilibrar as forças do impulso sexual, conduzindo-o para formas de comportamento sexualmente aceitas na sociedade.” penso que a arte, quando erótica, seja também a mobilização das figuras do imaginário sexual – concreto ou não do autor – o fluxo vital de suas energias sexuais, além é claro, do que ele deposita no sexo.
Ele aponta que “a fantasia é a mola propulsora da realização sexual, é inerente ao ser humano, desde criança, com as brincadeiras de faz de conta, à velhice, apenas modificando a sua forma e conteúdo.” Segundo Fabiano a fantasia também é uma vinculação das sensações corpóreas e subjetivas, e na arte, não é tão diferente. Por mais que as artes plásticas permitam a subjetivação da imagem pelo observador, é na literatura o campo infinito das possibilidades do entendimento da obra, afinal, a tela branca do pensamento vai tomando proporções únicas, ainda mais quando impulsionadas pelo erotismo da obra lida. O impulso sexual na arte plástica, é observada, nas formas nuas, no contato do elemento com outros ou com objetos, nos olhares, no movimento da luz e da cor. Na cor das genitálias, no brilho, ou fechar dos olhos hedônicos, o que já indica as possíveis reações do observador – quando a técnica subjetivada – não quanto ao subjetivismo da percepção da obra.

Na literatura, quando um poema aborda o sexo, de forma explícita ou veleda, sempre criamos o universo que o rodeia. No poema ou conto erótico, não há nu a ser visto, e sim a ser criado, imaginado. A imagem tem de ser construída, conduzida, erotizada de acordo com as percepções de gosto, e até mesmo com histórico sexual da pessoa. O sexo escrito também é arte, e também é movimento. Hétero ou homossexual, o sexo na literatura muitas vezes ultrapassa as barreiras da ordem social, de forma sutil ou aberta, sem deixar-se corromper pela vulgarização ou espetáculo do sexo (se não o é). Não falo aqui dos romances de Sabrina, ou mesmo do sexo da Bruna Surfistinha, que não são arte, mas sim, de escritores e escritoras que conversam e são sexo – através de suas personagens e histórias, dos que abordam o sexo não com fins de promover estímulos suficientes para a masturbação, mas que falam do sexo como quem falam do belo, do surreal e humano do ato. Ato erótico, sem deixar de ser bonito, naquilo que o é.

Caio Fernando de Abreu, contista gaúcho, trata do sexo (homoerotismo) imprimindo uma linguagem lírica, que sugestiva e não apenas descreve o ato de coito. A afirmação sexual perpassa pela afirmação social do gay como sujeito.

“Ah, me socorre que hoje não quero fechar a porta com esta fome na boca, beber um copo de leite, molhar plantas, jogar fora jornais, tirar o pó de livros, arrumar discos, olhar paredes, ligar desligar a TV, ouvir Mozart para não gritar e procurar teu cheiro outra vez no mais escondido do meu corpo, acender velas, saliva tua de ontem guardada na minha boca, trocar lençóis, fazer a cama, procurar a mancha de esperma nos lençóis usados, agora está feito e foda-se, nada vale a pena, puxar cobertas, cobrir a cabeça, tudo vale a pena se a alma, você sabe, mas a alma existe mesmo? E quem garante? E quem se importa?”

Segue um poema erótico da escritora, publicitária e jornalista Paula Taitelbaum:

“Quantos litros de sua porra
será que eu já engoli
Será que o suficiente
para você deixar
de me tratar feito um guri?”

Felipe Freitag, poeta e acadêmico de letras da Universidade Federal de Santa Maria, também em algumas obras aborda o erotismo e a sensualização, ele considera que a arte nada mais é do que a plástica da realidade, se há erotismo no cotidiano, tem que haver erotismo na arte, como recriação. Em seus poemas, ele aborda o sexo de uma forma natural, aliado a outros elementos de sua poética como a vida cotidiana, a elementos da cultura popular, e a acontecimentos ou objetos simples, mas que são carregados de significado.
Segue um dos seus mais diretos poemas, chamado Lesmas valsantes:

Lesmas.
Lesmas bailarinas aquelas que escorregavam pelo meu pau já duro.
Lesmas e gosmas, gosmas misturadas. Leite e sal.
Lesmas que valsavam ao ver aquele putinho de cachecol na esquina da avenida Roraima
Somente lesmas, apenas lesmas.
E as gosmas a se misturar, e o cheiro a se confundir.
E um dia, as gosmas eram quatro.
As minhas e as dele.
Não do putinho com cachecol, mas do moço da loja.
E eu percebi que as gosmas eram tão parecidas.
Que as gosmas leitosas, esbranquiçadas-eram gosmas de amor?
E as lesmas valsam, valsam e nada se entende disso a que chamam de amor.
Lesmas.

Alisson Machado.

Sem comentários ainda »

Feed RSS dos comentários deste post URI do TrackBack

Deixe um comentário

XHTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <pre> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Blog no WordPress.com. | Theme: Pool by Borja Fernandez.
Entries and comments feeds.